Picuinhices |
|
2003/07/14
Via o Arts & Letters Daily, um artigo interessante do Wall Street Journal acerca dos dilemas das intervenções humanitárias. O mote é dado pela Libéria, com o Iraque em pano de fundo.
Colocado por Picuinhas às 22:28
A logística de Ana Gomes Ana Gomes preferia que Portugal não mandasse a GNR para o Iraque. Até aqui tudo bem. Não concordo, mas reconheço a coerência. O pior vem depois, quando Ana Gomes sugere que somos "borlistas" (portoghesi):
Em finais de Junho a partida da GNR foi adiada, por inadequação e insuficiência de meios para operar no terreno. O ministro da Administração Interna admitiu que estariam a ser pedidos carros blindados às forças italianas, que também assegurariam a alimentação dos portugueses. Potenciador do "prestígio" externo de Portugal ao melhor estilo Barroso-Portas, este recurso aos italianos, ao menos, respeita a tradição: a dos "borlistas", termo que em italiano é "portuguesi" [sic]...Parece-me óbvio que seria um absurdo o contingente da GNR não se apoiar logisticamente nas outras forças que actuam no Iraque. Fazê-lo é uma simples questão de bom senso económico. Mas Ana Gomes acha que isso nos qualifica como "borlistas". Mesmo que o apoio dos italianos não seja pago, o que duvido, não se pode fazer uma tal acusação: ir para o Iraque não é propriamente como ir a uma festa. Ana Gomes não resistiu a forçar o trocadilho com portoghesi. O trocadilho saiu-lhe coxo e com um erro de ortografia. Colocado por Picuinhas às 21:48
Acrescento ainda que a última coluna de Fernando Ilharco é clara como água.
Colocado por Picuinhas às 21:23
Direito de Resposta Resposta de Fernando Ilharco a uma entrada no Picuinhices sobre um texto seu (a entrada original reproduz-se no final da resposta):
Umas notas sobre Fernando Ilharco:A entrada original no Picuinhices era: Fernando Ilharco Todas as semanas tento ler a coluna de Fernando Ilharco no Público. Nunca consegui, apesar do esforço. Gostava de saber, sinceramente, se alguém a lê, tirando o próprio. E, sobretudo, se entende o que lá está escrito. Por exemplo, agradecem-se explicações acerca do sentido da seguinte frase: Trad... explicações para Picuinhices@yahoo.com.br. Colocado por Picuinhas às 21:10 2003/07/12
O Picuinhas identifica-se com o Calvin no Público de ontem:
— O que é que tu achas que aquelas nuvens parecem? Colocado por Picuinhas às 11:52
Defesa do Iluminismo? José Miguel Júdice assina no Público um artigo em defesa do iluminismo. O artigo é interessante e na generalidade certeiro. Mas há alguns pontos com os quais não posso concordar. Quando José Miguel Júdice diz que o facto de 71% dos portugueses acharem que "se as leis não forem 'justas e lógicas' não são para cumprir" é assustador e muito perigoso para o Estado de Direito, concordo plenamente. Creio mesmo que a nossa "flexibilidade" na interpretação da lei, "flexibilidade" essa que se estende a quem é suposto fazê-a cumprir, é um dos nossos factores de atraso civilizacional. Mas José Miguel Júdice afirma que o mesmo perigo para o estado de direito decorre também de "79% [dos portugueses acharem] que quem abuse sexualmente de menores deve ter penas superiores ao máximo legal (entre os quais 53% querem a pena de morte ou a prisão perpétua!) e [de] 81% também [quererem] mais de 25 anos de prisão para homicídios". Ora, não faz sentido afirmar que a pena máxima de 25 anos corresponde à fronteira entre a civilização e a barbárie (José Miguel Júdice diz que tais opiniões revelam um "arcaísmo regressivo"). Quantos países mais civilizados que o nosso têm penas máximas superiores e mesmo prisão perpétua ou até pena de morte? Será que 25 anos de prisão para um homicida é apropriado, mas 30 são já uma "punição selvática"? Pessoalmente sou contra a pena de morte, mas não me parece saudável pôr a questão nos termos em que José Miguel Júdice a põe. Até porque a premissa por trás da imposição de uma pena máxima, apoiada implicitamente por José Miguel Júdice, é a de que todos os criminosos são regeneráveis e por isso socialmente reintegráveis. Recorro de novo a Steven Pinker, e ao seu The Blank Slate, onde se analisam estudos que parecem demonstrar em certos casos a regeneração pode ser impossível. A questão civilizacional, ao contrário do que José Miguel Júdice diz, está muito menos nas penas máximas previstas pela lei, e muito mais na sua aplicação prática. Enquanto em Portugal os períodos de prisão preventiva efectivos se forem prolongando, mais a mais sem possibilidade de defesa por parte do arguido, estaremos muito mais em estado de "barbárie" do que noutros países onde a pena perpétua (ou mesmo a pena de morte) existe e é aplicada.
Colocado por Picuinhas às 11:35 2003/07/11
Na Feira do Artesanato do Estoril, há uma banca que vende artigos religiosos da Terra Santa. Parámos para ver. O vendedor era persuasivo e simpático. Entrou em conversa connosco:
— Todos os artigos vêm da Palestina. Eu também sou palestino. Sou de Belém! — Bela terra! — Com a guerra... — Mas as coisas agora estão melhores por lá, ou não? — Ah! Eles foram só pôr gasolina a Jerusalém e logo voltam... — Espero bem que não. Respondi sem convicção. Colocado por Picuinhas às 23:18
Presunç?o
Presunção
Aldónio: Rui, tens de parar de ler artigos para a tese! A partir de agora tens apenas que escrever aquilo que sabes. Colocado por Rui Lopes às 07:09 2003/07/09
Mortos na Estrada: A Receita Francesa O Le Monde divulga os resultados da política convicta do governo francês contra as mortes na estrada: menos 18,1% mortos e menos 17,1% feridos graves num ano. De que estamos à espera para usar a mesma receita? Retirar 18% aos cerca de 1500 mortos anuais nas nossas estradas sempre seriam menos 270 funerais ao longo do ano... Mas não há esperança. O nosso Plano Nacional de Prevenção Rodoviária é de uma timidez confrangedora, pois prevê atingir em 2010 a média europeia de sinistralidade entre 1998 e 2000. Mesmo que em 2010 atingíssemos esse objectivo, continuaríamos a ter a pior taxa de sinistralidade da europa: a média europeia não irá ficar à nossa espera.
Colocado por Picuinhas às 23:53
A Teoria da Submissão de Fernando Rosas, no Público, tem uma interessante teoria sobre a crise económica:
É preciso dizer que a presente crise é fruto de uma verdadeira recessão programada pelos interesses económicos e pela governação da direita. O prolongamento da crise internacional obriga o capital a recorrer a métodos radicais de procurar restaurar as suas taxas de lucro e acumulação.Mas afinal, pretendida porquê? Que interesse poderia haver em produzir uma recessão? Simples: "o governo do PSD-PP não podia esperar melhor respaldo para a sua ofensiva anti-social". Ou seja, segundo Fernando Rosas, a recessão actual foi provocada pelos governos de direita para facilitar as suas ofensivas anti-sociais e prejudicar propositadamente os mais pobres, beneficiando os mais ricos no processo. Já imagino a nossa Manuela Ferreira Leite esfregando as mãos maldosamente, preparando o plano secreto que tornaria a desejada recessão possível. Imagino também os urros de alegria que o executivo soltou em uníssono quando ouviu as declarações do governador do Banco de Portugal a anunciar finalmente a tão desejada recessão. Recomendo a Fernando Rosas a utilização da Navalha de Occam para aparar as suas teorias: Pluralitas non est ponenda sine neccesitate, ou seja, a pluralidade não deve ser colocada sem necessidade. Esta navalha é o melhor remédio para quem acredita em teorias da conspiração. Colocado por Picuinhas às 23:32
Emancipação? Segundo o Público de hoje, em artigo de Jorge Heitor relatando a visita de George W. Bush a África, "todos [os políticos africanos com quem se encontra] lhe dizem que se trata acima de tudo de uma responsabilidade norte-americana, porque o país é uma criação dos EUA". Para que conste, a Libéria tornou-se independente a 26 de Julho de 1847, i.e., há quase 156 anos. Até quando durará a responsabilidade dos EUA? E, já agora, será que Portugal ainda terá "responsabilidade" sobre Angola em 2131?
Colocado por Picuinhas às 22:31 2003/07/08
Reflexões sérias, informadas e inovadoras
Reflexões sérias, informadas e inovadoras Eduardo Prado Coelho, no Público de ontem, diz que "apesar dos evidentes esforços que se tem feito na área do Partido Socialista, existe um manifesto défice de produção teórica que faz que quando o Partido Socialista se preocupa apenas em ser um partido com responsabilidades de poder não se consegue diferenciar da direita do PSD e que quando procura demarcar-se da direita pareça colado ao Bloco de Esquerda (onde, basta ler a revista 'Manifesto', se produz reflexão informada, séria e inovadora, que nenhum defensor da esquerda pode ignorar)". Curioso, comprei o número de Abril da dita revista. Abro ao acaso e surge-me a seguinte pérola, da autoria de Nuno Ramos de Almeida:
Na minha curta vida de jornalista só consegui encontrar gente que reflectisse as ideias sobre mercado e família de um João Carlos Espada e de um divulgador como João César das Neves na "família" do cinema pornográfico.Perante tal afirmação, resolvi ler o artigo desde o início. O seu nome é "Momento e Movimento", e é uma colecção de secções mais ou menos desconexas. Na segunda, "Zona de Impacte", Nuno Ramos de Almeida ataca a democracia americana: [...] independentemente do governo que elejam, a política será, basicamente, a mesma.Já tinha ouvido esta ladaínha, aliás repetida pelo próprio Ralf Dahrendorf. Numa entrada de Maio passado, já este blogue tinha desmontado a desinformação: nas últimas eleições presidenciais dos EUA votaram 67,5% dos votantes registados e 51,3% dos cidadãos norte-americanos em idade de votar. Quanto a reflexões informadas estamos, pois, conversados. O artigo prossegue, descrevendo uma sociedade imaginária, que é preciso subverter através de uma "revolução como um vírus informático", e onde existe "a ideia de que tudo o que é humano é para embrulhar, consumir e deitar fora". Escusado será de dizer que tal sociedade só existe na mente dos opositores dos regimes liberais e capitalistas. Ao cidadão comum, liberal ou não, não lhe passa pela ideia "embrulhar, consumir e deitar fora" tudo o que é humano". Apresentado o capitalismo como um monstro destruidor e desumanizador, monstro esse que na realidade trouxe enormes melhorias no nível de vida de todos os povos que o adoptaram plenamente, passa-se à definição de uma estratégia de tomada do poder. A queda do muro de Berlim não demonstrou a falência dos modelos socialistas. Demonstrou, isso sim, a necessidade de mudar de táctica. O objectivo é o mesmo: um homem novo para uma sociedade nova. A forma de lá chegar é que é diferente: Não existem revoluções por decreto. "Tomar o Poder" só pode ser torná-lo irreconhecível, acabar com qualquer forma de autoritarismo e permitir a participação de todos. Esta "conquista" é um processo. O poder transforma-se acabando com os seus mecanismos clássicos e reforçando a autonomia das pessoas e dos movimentos, a acção de uma multidão criativa que se modifica e que transforma. Esta criação é impossível com concepções arcaicas de dirigismo que desconfiem da autonomia dos movimentos sociais e da autodeterminação das pessoas.A forma de atingir o poder passa, pois, pelo reforço dos movimentos sociais. Como é óbvio, os movimentos espontâneos de cidadãos, os movimentos sociais, são um sinal de vitalidade de uma sociedade, como afirma Fukuyama no seu "The Great Disruption". Mas que dizer quando alguns destes movimentos são na realidade muito pouco representativos e espontâneos, e ainda menos autónomos, justamente porque incentivados por partidos que, perante a impossibilidade de tomar o poder através de eleições livres (que não excluem à partida as porteiras nem dos candidatos nem dos votantes, ao contrário dos regimes comunistas), os vêm como uma forma alternativa de chegar ao poder? Justamente que os partidos com esta estratégia estão a minar os movimentos sociais e a justificar a desconfiança relativamente à sua autonomia que, precisamente, dizem pretender combater. Desconfiança essa que não atinge apenas (nem sobretudo) os dirigentes, mas todo o cidadão pensante. Segue-se uma diatribe contra a chamada "globalização neoliberal", e a favor da agora chamada "alter-globalização". A questão, segundo o autor, é se a globalização se fará "no quadro do mercado ou da Humanidade". É uma falsa alternativa: onde há humanos há mercado, e não há mercado sem humanos. A ideia de que a globalização seria "mais humana" se excluísse o "diabólico" mercado permeia todo o artigo. Todos os argumentos são válidos para denegrir o capitalismo, incluindo os argumentos eco-milenaristas, tão bem desmontados por Lomborg: "hoje por hoje, os limites do planeta fazem da ideia de progresso a via mais rápida em direcção à catástrofe". A este propósito vale também a pena ler um livrinho muito interessante de Guy Sorman, intitulado "Le Progrès et ses Ennemis". Reflexões inovadoras? Tudo isto é velho e revelho, e sintoma de um esquerdismo profundamente conservador. Finalmente chegamos à pornografia. A secção do artigo intitula-se "A Pornocópia, o João Carlos Espada, o Vale da Amoreira e o Pedro Bala". Segundo o autor, "a pornografia é uma das maiores realizações da economia de mercado". Diz ele que o sucesso desta indústria, cujos lucros "ultrapassam em muito os da própria indústria de Hollywood", é fácil de explicar. Curiosamente, não apresenta a explicação, ficando o leitor com a sensação que na sua opinião tal sucesso se deve não à natureza humana masculina, mas a um qualquer efeito perverso do capitalismo. Na realidade a explicação é muito prosaica: "men have a much stronger taste for no-strings sex with multiple or anonymous partners, as we see in the almost all-male consumer base for prostitution and visual pornography", como afirma Steven Pinker, e nós já sabíamos, em "The Blank Slate". A verdadeira razão desta digressão pela pornografia é na realidade a oportunidade para citar um actor porno entrevistado pelo autor logo após uma filmagem falhada: Isto é bom, é sexo, mas não é verdadeiramente sexo. Esse é só aquele que fazemos na cama com a nossa mulher.Supostamente seriam afirmações desta índole que Nuno Ramos de Almeida teria ouvido apenas da boca de actores porno ou de João César das Neves e João Carlos Espada. Mas não será esta afirmação reveladora, afinal, de simples bom senso, mesmo vindo da boca de um actor porno? Ou será que Nuno Ramos de Almeida acha que as duas formas de relação sexual se equivalem? Serão estas as reflexões sérias a que Eduardo Prado Coelho se refere? Colocado por Picuinhas às 22:36
Na Biblioteca de Babel não há plágios. Na Biblioteca de Babel todo o texto é um plágio. Felizmente, a Web nunca será uma Biblioteca de Babel: na Biblioteca de Babel há cerca de 25410×40×80 (aproximadamente 101834097) livros diferentes, mas no universo, aparentemente, não chega a haver 10100 átomos.
Colocado por Picuinhas às 01:25
"Não gosto de deficientes", disse um arquitecto meu conhecido. Descodificando, significa "não gosto de clientes: suporto-os".
Colocado por Picuinhas às 00:37 2003/07/07
O Jantar da UBL Regresso ao vício demasiado tarde para poder acrescentar algo de novo às excelentes descrições do jantar da UBL:
Agradecimentos em particular à Charlotte e ao Pedro Lomba pelas amabilíssimas palavras, que não mereço, ao Pedro Mexia pelo "incentivo" (já sinto uma auréola a formar-se), e aos irmãos Miguel e João pelos elogios. Apesar de redundante, não posso deixar de dizer que há muito não jantava em tão boa e inteligente companhia. P.S. A Bomba Inteligente escolheu bem o nome do seu blogue: é uma bomba e é inteligente (a ordem é arbitrária). P.P.S. Tudo o que os outros membros da UBL disseram acerca do trio d'O Complot é verdade: são surpreendentes. Colocado por Picuinhas às 23:57
Bloguirium Tremens
Bloguirium Tremens Já lá vão duas semanas de abstînência. Os sintomas são horríveis*: agitação, nervoso, ansiedade, irritabilidade, depressão, fadiga, pensamento enovoado, palpitações, dores de cabeça, suores, náuseas, falta de apetite, insónia, pesadelos, alucinações, tremuras, ataques... Impossível resistir mais tempo. O vício chama.
Colocado por Picuinhas às 23:07 2003/06/24
Suspensão temporária Este blogue está suspenso durante uns dias. Voltaremos em breve.
Colocado por Picuinhas às 18:02 2003/06/20
2003/06/19
Pedro Mexia Um dos autores da Coluna Infame, blogue de boa memória que inspirou meia blogosfera nacional e que me levou a criar o Picuinhices, está de volta. Que seja muito bem-vindo! O blogue de Pedro Mexia chama-se Dicionário do Diabo. Visitem-no!
Colocado por Picuinhas às 10:59 2003/06/18
Nazismo e Socialismo Mais umas achegas para a excelente resposta do Contra a Corrente ao Linhas de Esquerda:
What distinguished Nazism from traditional forms of socialism was its febrile nationalism, although not its virulence against despised peoples. Marx, as we have seen [pág. 66 e 67], looked forward to the "annihilation" of "reactionary races." The examples he gave were "Croats, Pandurs, Czechs and similar scum." He did not in this passage mention Jews, but his desire for their disapearance was amply expressed elsewhere. His aspiration for "the emancipation of society from Judaism" because "the practical Jewish spirit" of "huckstering" had taken over the Christian nations is not that far from the Nazi program's twenty-fourth point: "combat[ing] the Jewish-materialist spirit within us and without us" in order "that our nation can...achieve permanent health." Colocado por Picuinhas às 21:17
Os acentos O Rui escreve de Inglaterra em teclados sem acentos. Neste blogue simbiótico, sou eu quem lhe acentuo as frases. Se falhar algum, já sabem que a culpa é minha.
Colocado por Picuinhas às 20:39
Filo-americanismos a dois tempos Em Março, escrevi a seguinte nota pessoal:
Aos amigos As entrevistas aos presos de Guantánamo – a descrição das condições nada humanas, da enormidade de tempo sem culpa formada, do desespero, das tentativas de suicídio – deixam-me com um desconforto semelhante àquele que sentimos quando os nossos amigos fazem algo de errado. Profundamente errado. Colocado por Rui Lopes às 12:08 2003/06/17
Insultos O Linhas de Esquerda acusa o Valete Frates! de nazismo por ter colocado uma entrada no seu blogue onde se demonstra claramente que as ideias de Hitler eram em muitas coisas semelhantes à cartilha de sempre da esquerda: o anti-capitalismo, a estatização da cultura e da educação, etc. Confundir esta entrada esclarecedora e claramente anti-esquerdista e anti-nazi com uma citação enaltecedora do nazismo é um gigantesco absurdo (e estou a ser eufemístico). Infelizmente, há alguma esquerda que não quer, ou não sabe, argumentar, limitando-se ao insulto.
Mas, bem vistas as coisas, valerá a pena responder? Colocado por Picuinhas às 23:24
Guantánamo blues Que se passa exactamente em Guantánamo? Aparentemente nada de especial. Não há torturas. Não há violência. Não há maus tratos. Há presos preventivos. Presos sem culpa formada. E isso já é demais. Não gostamos. Cá como lá, há limites que não se podem ultrapassar. Em Guantánamo foram há muito ultrapassados.
Colocado por Picuinhas às 17:15
Fernando Ilharco Todas as semanas tento ler a coluna de Fernando Ilharco no Público. Nunca consegui, apesar do esforço. Gostava de saber, sinceramente, se alguém a lê, tirando o próprio. E, sobretudo, se entende o que lá está escrito. Por exemplo, agradecem-se explicações acerca do sentido da seguinte frase:
Contextualizado por um monumental enquadramento do que existe, como Heidegger aponta a essência da moderna tecnologia, no âmbito de um sistema não apenas de informação mas genuinamente de comunicação, de ajuste e de acoplamento estrutural e essencial entre o dentro e o fora, entre todas as diferenças que nos rodeiam e afectam, o que existe e que conta, o ser em si mesmo, é-nos revelado. Trad... explicações para Picuinhices@yahoo.com.br. Colocado por Picuinhas às 01:53
O Logro da "Democracia Participativa"?
José Manuel Fernandes escreve no público acerca da democracia representativa e da "democracia participativa". Concordo no essencial com as suas palavras, mas julgo que o artigo vai um pouco longe demais. JMF parece negar o papel importantíssimo que têm as associações espontâneas na sociedade civil, independentemente da sua representatividade e democracia interna. Se é verdade que estas associações, a que JMF chama "movimentos sociais", não são a sociedade civil, também é verdade que são uma parte importante dela. É evidente que estas associações não podem ter poder, pois, como JMF diz, isso seria uma total perversão da democracia. Mas nada há de errado em que tentem influenciar o poder: o lobbying, desde que feito às claras, só pode servir mas estimular a discussão e melhor a informação que os nossos eleitos têm para decidir, quer se trate de representantes em órgãos legislativos, quer se trate de membros de órgão executivos. Para que não haja dúvidas, digo isto com activista convicto e associado da ACA-M, ou Associação de Cidadão Auto-Mobilizados, que tem tido, julgo eu, um papel relevante a levantar bem alto o problema da sinistralidade rodoviária em Portugal. Esta associação não participou, e ainda bem, no FSP (Fórum Social Português), justamente pelo seu carácter de verdadeira associação de cidadãos, totalmente ortogonal às organizações partidárias ou partidarizadas. Digo-o com à vontade, pois entre os seus membros se encontram associados de todos os espectros políticos. O mesmo já não posso dizer da LPN (Liga para a Protecção da Natureza), que participou oficialmente no FSP, e da qual deixarei em breve de ser sócio. Concordo com JMF quando ele diz que não há nenhuma razão para que as opiniões de associações e "movimentos sociais" sejam mais ouvidas que a voz do cidadão singular, pelo menos enquanto não for evidente a sua representatividade. É justamente aqui, de resto, que eu julgo que a nossa democracia está doente. Diria mesmo mais: sempre esteve doente. Porque o cidadão individual é simplesmente ignorado pelo poder. Para o ilustrar, deixem-me descrever uma experiência que tive há uns anos, numa sessão pública da CML, quando ainda João Soares era presidente. Nessa altura, e presumo que ainda hoje, havia uma sessão pública mensal das reuniões do executivo da CML. Uma vez que sempre acreditei que uma participação activa dos cidadãos na vida pública é fundamental numa democracia plena, com as nuances que apresentei acima, decidi participar numa dessas sessões. Se bem me lembro, realizavam-se numa das terças-feiras do mês, talvez numa das quartas. A sessão tinha lugar à tarde, mas era obrigatória a inscrição prévia dos cidadãos que quisessem interpelar o executivo. Essa inscrição realizava-se pela manhã, e obrigava à indicação dos assuntos a que o cidadão aludiria na sua intervenção, alegadamente para que os "vereadores e presidente pudessem estar preparados para responder". Na prática significava não só evitar as perguntas embaraçosas, como também levava a que os cidadãos que efectivamente participavam nas sessões públicas da CML fossem geralmente cidadãos ociosos, muitas vezes reformados e por vezes mesmo com perturbações e evidente falta de bom senso. Chegada a hora da sessão, entrei e sentei-me junto com o restante público. Não me lembro exactamente quanto tempo passámos a ouvir votações acerca de assuntos a que os vereadores se referiam pelo número na ordem de trabalhos, à qual não tínhamos acesso. Talvez tenhamos estado uma hora a ouvir os vereadores votarem números: “número 57, quem vota a favor? quem vota contra? quem se abstem?”. Só muito raramente, quando o assunto era polémico e dava azo a alguma discussão, conseguíamos inferir vagamente do que se tratava. Finalmente chegou o período das intervenções do público. Não intervim, até porque não pudera prescindir da minha manhã para me inscrever. Limitei-me a assistir a um arrastar de personagens absurdos que faziam discursos intermináveis e perguntas absurdas a vereadores enfastiados que respondiam cheios de paternalismo. Uma total perda de tempo e um total aviltamento de uma ideia virtuosa. A democracia formal limita-se ao voto, mas uma democracia real implica respeito pelo cidadão. Implica dar-lhe a possibilidade, não de decidir, mas de ser ouvido. Por isso digo que a nossa democracia está, e sempre esteve, doente. Porque o cidadão é tratado como um imbecil. Porque presidentes de câmara, como o foi João Soares, e mesmo presidentes de juntas de freguesia, como o foi Vitor Gaio, em S. João de Deus, não se dignam sequer a responder a cartas dos cidadãos. Note-se que estou a falar da governação ao nível mais atómico, onde os contactos com os cidadãos são mais fáceis e necessários. O que poderá justificar que uma câmara municipal planeie durante anos a recuperação de um jardim, por exemplo, sem que os habitantes da zona o saibam? O que poderá justificar que não tenham acesso atempado ao projecto e a possibilidade de apresentar as suas críticas quando ainda há a possibilidade de elas serem levadas em conta, caso sejam pertinentes? É por não compreender, por não aceitar esta ideia de que a democracia seja sempre e em qualquer circunstância uma espécie de ditadura limitada no tempo, que aceitei, agradecido, o convite que me foi feito para participar como independente nas listas do PSD para a Assembleia de Freguesia de S. João de Deus, onde poderia ter, talvez, a possibilidade influenciar um pouco a forma como os cidadãos são tratados. Será que dar voz ao cidadão, ou melhor, será que demonstrar simples consideração pelo cidadão corresponde a apoiar a ideia de "democracia participativa"? Não, de modo algum! Pelo menos na acepção que JMF dá à expressão. E isso acontece porque não proponho que o poder esteja directamente nas mãos dos cidadãos individuais ou nas suas associações, mas sim nos seus representantes eleitos. Mas será que podemos chamar verdadeiramente democrática a uma sociedade onde os eleitos simplesmente ignoram os cidadãos, tratando-os com condescendência e paternalismo? A resposta é um enfático não. Democracia implica capacidade de decidir. Por vezes até capacidade de decidir convictamente contra a vontade de todos. Isso implica a coragem de um Tony Blair, afrontando manifestações e impopularidade. "I don't see impopularity as a badge of honour", disse, enquanto persistiu, convicto, no apoio ao ataque ao regime de Saddam Hussein. Mas há uma diferença enorme entre decidir corajosamente e ignorar os cidadãos. O exercício do poder democrático implica a possibilidade de decidir contra a vontade de alguns, ou mesmo da grande maioria dos cidadãos. Mas não significa necessariamente que as opiniões desses cidadãos não mereçam respeito e resposta. Nem que os detentores do poder possam deixar de informar convenientemente os cidadãos. Colocado por Picuinhas às 01:03 2003/06/16
Gravatas e T-Shirts ou Uma Resposta a José Manuel Fernandes
Et hay nos gens qui supportent plus mal-aysement une robbe qu'une ame de travers : et regardent à sa reverence, à son maintien et à ses bottes, quel homme il est. Aborreço esta gente que tem mais dificuldade em desculpar um fato do que um espírito menos correcto e decidem do valor de um homem pelas reverências, pelo porte e pelas botas. Colocado por Picuinhas às 22:59
Constituições e páginas Para que se possam fazer algumas comparações interessantes, seguem as estatísticas:
A este respeito vale a pena ler o artigo de João Carlos Espada na última edição do Expresso. Correcções ou precisões para Picuinhices@yahoo.com.br. Colocado por Picuinhas às 20:18
Holy Cow Comentário anónimo a uma entrada no Samizdata sobre a Constituição da União Europeia:
Holy cow. The EU constitution is 244 pages long?! The mind boggles imagining the things you could hide in there. How many pages is the US Constitution? Low double digits? I have a version that fits in your pocket that I picked up in law school. Colocado por Picuinhas às 18:36 2003/06/15
A qualidade deste miserável blogue não lhe agrada? Não admira. É que foi traduzido automaticamente do inglês, língua em que são escritas as entradas originais. Para recuperar a versão original, que lhe garanto tem uma qualidade muito superior, siga esta ligação. Verá que o humor fino da versão original inglesa se perde totalmente na tradução.
Colocado por Picuinhas às 23:43
Uma desgraça nunca vem só José Neves assina um artigo no Público que é verdadeiramente de ir às lágrimas:
Imagine, imagine uma pessoa que vive num subúrbio de Lisboa. Imagine que essa pessoa tem um trabalho hoje, não teve um trabalho ontem e o amanhã ainda não cantou. Imagine, já agora, que essa pessoa é mulher. Imagine-a sem marido e com filhos. Peço-lhe mais um esforço. Imagine ainda que essa pessoa nasceu em África. E imagine a viagem que da sede de êxodo a trouxe até aqui. Peço-lhe mais um esforço - peço-lhe no fundo que a sua sede de êxodo acompanhe a da pessoa imaginada. Assim, imagine ainda que essa mulher é lésbica. Pois paira. Mas é o espectro do próprio Marx, que nos continua a atormentar através de organizações como a ATTAC, de que José Neves é membro. Colocado por Picuinhas às 23:38
Merda Roquette Verdadeiramente imperdível, no DN:
Um salto a Paris. Três dias. Chance, chance, merde! Vera Roquette à blogosfera já! Para compor o ramalhete, precisamos mesmo de um coproblogue. Colocado por Picuinhas às 00:47 |
Quem somos: Manuel Menezes de Sequeira (aliás Picuinhas) Rui Lopes (em sabáticas) Fernando C. Gabriel (aliás FCG) Pintoff (aliás Pintoff) Entradas recentes:
Hibernação
Os Founding Fathers: [A Coluna Infame] [Dicionário do Diabo] [Flor de Obsessão] As referências: Abrupto Andrew Sullivan Aviz EuroPundits Os Blogues Livres: União dos Blogues Livres Blogue dos Marretas Bomba Inteligente A Causa foi Modificada [O Complot] [O Comprometido Espectador] Contra a Corrente [Dicionário do Diabo] [De Direita] [Espigas ao Vento] [Flor de Obsessão] Fumaças O Itermitente Jaquinzinhos [Liberdade de Expressão] Mar Salgado [Portal Claudio Téllez] No Quinto dos Impérios Tradução Simultânea [Valete Frates !] Voz do Deserto Zé Diogo Quintela (membro individual honorário) Os do bom senso: Acho Eu O Acidental Blasfémias Blogue da Causa Liberal Causa Liberal Desesperada Esperança Esmaltes e Jóias Fora do Mundo Homem a Dias João Pereira Coutinho A Mão Invisível Margens de Erro O Observador Office Lounging Semiramis Super Flumina Xanelcinco Saber ver: No Mundo Rion.nu Os do outro lado: Barnabé Blog de Esquerda [Cartas de Londres] Causa Nossa O País Relativo Os Tempos que Correm Os de fora: The Becker-Posner Blog Inside Europe: Iberian Notes InstaPundit.Com Marginal Revolution Power Line Samizdata.net ScrappleFace The Volokh Conspiracy Os sérios: Gato Fedorento Os quase blogues: [Pastilhas] Os meta-blogues: Apdeites Posto de Escuta |
