Picuinhices |
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2003/06/24
Suspensão temporária Este blogue está suspenso durante uns dias. Voltaremos em breve.
Colocado por Picuinhas às 18:02 2003/06/20
2003/06/19
Pedro Mexia Um dos autores da Coluna Infame, blogue de boa memória que inspirou meia blogosfera nacional e que me levou a criar o Picuinhices, está de volta. Que seja muito bem-vindo! O blogue de Pedro Mexia chama-se Dicionário do Diabo. Visitem-no!
Colocado por Picuinhas às 10:59 2003/06/18
Nazismo e Socialismo Mais umas achegas para a excelente resposta do Contra a Corrente ao Linhas de Esquerda:
What distinguished Nazism from traditional forms of socialism was its febrile nationalism, although not its virulence against despised peoples. Marx, as we have seen [pág. 66 e 67], looked forward to the "annihilation" of "reactionary races." The examples he gave were "Croats, Pandurs, Czechs and similar scum." He did not in this passage mention Jews, but his desire for their disapearance was amply expressed elsewhere. His aspiration for "the emancipation of society from Judaism" because "the practical Jewish spirit" of "huckstering" had taken over the Christian nations is not that far from the Nazi program's twenty-fourth point: "combat[ing] the Jewish-materialist spirit within us and without us" in order "that our nation can...achieve permanent health." Colocado por Picuinhas às 21:17
Os acentos O Rui escreve de Inglaterra em teclados sem acentos. Neste blogue simbiótico, sou eu quem lhe acentuo as frases. Se falhar algum, já sabem que a culpa é minha.
Colocado por Picuinhas às 20:39
Filo-americanismos a dois tempos Em Março, escrevi a seguinte nota pessoal:
Aos amigos As entrevistas aos presos de Guantánamo – a descrição das condições nada humanas, da enormidade de tempo sem culpa formada, do desespero, das tentativas de suicídio – deixam-me com um desconforto semelhante àquele que sentimos quando os nossos amigos fazem algo de errado. Profundamente errado. Colocado por Rui Lopes às 12:08 2003/06/17
Insultos O Linhas de Esquerda acusa o Valete Frates! de nazismo por ter colocado uma entrada no seu blogue onde se demonstra claramente que as ideias de Hitler eram em muitas coisas semelhantes à cartilha de sempre da esquerda: o anti-capitalismo, a estatização da cultura e da educação, etc. Confundir esta entrada esclarecedora e claramente anti-esquerdista e anti-nazi com uma citação enaltecedora do nazismo é um gigantesco absurdo (e estou a ser eufemístico). Infelizmente, há alguma esquerda que não quer, ou não sabe, argumentar, limitando-se ao insulto.
Mas, bem vistas as coisas, valerá a pena responder? Colocado por Picuinhas às 23:24
Guantánamo blues Que se passa exactamente em Guantánamo? Aparentemente nada de especial. Não há torturas. Não há violência. Não há maus tratos. Há presos preventivos. Presos sem culpa formada. E isso já é demais. Não gostamos. Cá como lá, há limites que não se podem ultrapassar. Em Guantánamo foram há muito ultrapassados.
Colocado por Picuinhas às 17:15
Fernando Ilharco Todas as semanas tento ler a coluna de Fernando Ilharco no Público. Nunca consegui, apesar do esforço. Gostava de saber, sinceramente, se alguém a lê, tirando o próprio. E, sobretudo, se entende o que lá está escrito. Por exemplo, agradecem-se explicações acerca do sentido da seguinte frase:
Contextualizado por um monumental enquadramento do que existe, como Heidegger aponta a essência da moderna tecnologia, no âmbito de um sistema não apenas de informação mas genuinamente de comunicação, de ajuste e de acoplamento estrutural e essencial entre o dentro e o fora, entre todas as diferenças que nos rodeiam e afectam, o que existe e que conta, o ser em si mesmo, é-nos revelado. Trad... explicações para Picuinhices@yahoo.com.br. Colocado por Picuinhas às 01:53
O Logro da "Democracia Participativa"?
José Manuel Fernandes escreve no público acerca da democracia representativa e da "democracia participativa". Concordo no essencial com as suas palavras, mas julgo que o artigo vai um pouco longe demais. JMF parece negar o papel importantíssimo que têm as associações espontâneas na sociedade civil, independentemente da sua representatividade e democracia interna. Se é verdade que estas associações, a que JMF chama "movimentos sociais", não são a sociedade civil, também é verdade que são uma parte importante dela. É evidente que estas associações não podem ter poder, pois, como JMF diz, isso seria uma total perversão da democracia. Mas nada há de errado em que tentem influenciar o poder: o lobbying, desde que feito às claras, só pode servir mas estimular a discussão e melhor a informação que os nossos eleitos têm para decidir, quer se trate de representantes em órgãos legislativos, quer se trate de membros de órgão executivos. Para que não haja dúvidas, digo isto com activista convicto e associado da ACA-M, ou Associação de Cidadão Auto-Mobilizados, que tem tido, julgo eu, um papel relevante a levantar bem alto o problema da sinistralidade rodoviária em Portugal. Esta associação não participou, e ainda bem, no FSP (Fórum Social Português), justamente pelo seu carácter de verdadeira associação de cidadãos, totalmente ortogonal às organizações partidárias ou partidarizadas. Digo-o com à vontade, pois entre os seus membros se encontram associados de todos os espectros políticos. O mesmo já não posso dizer da LPN (Liga para a Protecção da Natureza), que participou oficialmente no FSP, e da qual deixarei em breve de ser sócio. Concordo com JMF quando ele diz que não há nenhuma razão para que as opiniões de associações e "movimentos sociais" sejam mais ouvidas que a voz do cidadão singular, pelo menos enquanto não for evidente a sua representatividade. É justamente aqui, de resto, que eu julgo que a nossa democracia está doente. Diria mesmo mais: sempre esteve doente. Porque o cidadão individual é simplesmente ignorado pelo poder. Para o ilustrar, deixem-me descrever uma experiência que tive há uns anos, numa sessão pública da CML, quando ainda João Soares era presidente. Nessa altura, e presumo que ainda hoje, havia uma sessão pública mensal das reuniões do executivo da CML. Uma vez que sempre acreditei que uma participação activa dos cidadãos na vida pública é fundamental numa democracia plena, com as nuances que apresentei acima, decidi participar numa dessas sessões. Se bem me lembro, realizavam-se numa das terças-feiras do mês, talvez numa das quartas. A sessão tinha lugar à tarde, mas era obrigatória a inscrição prévia dos cidadãos que quisessem interpelar o executivo. Essa inscrição realizava-se pela manhã, e obrigava à indicação dos assuntos a que o cidadão aludiria na sua intervenção, alegadamente para que os "vereadores e presidente pudessem estar preparados para responder". Na prática significava não só evitar as perguntas embaraçosas, como também levava a que os cidadãos que efectivamente participavam nas sessões públicas da CML fossem geralmente cidadãos ociosos, muitas vezes reformados e por vezes mesmo com perturbações e evidente falta de bom senso. Chegada a hora da sessão, entrei e sentei-me junto com o restante público. Não me lembro exactamente quanto tempo passámos a ouvir votações acerca de assuntos a que os vereadores se referiam pelo número na ordem de trabalhos, à qual não tínhamos acesso. Talvez tenhamos estado uma hora a ouvir os vereadores votarem números: “número 57, quem vota a favor? quem vota contra? quem se abstem?”. Só muito raramente, quando o assunto era polémico e dava azo a alguma discussão, conseguíamos inferir vagamente do que se tratava. Finalmente chegou o período das intervenções do público. Não intervim, até porque não pudera prescindir da minha manhã para me inscrever. Limitei-me a assistir a um arrastar de personagens absurdos que faziam discursos intermináveis e perguntas absurdas a vereadores enfastiados que respondiam cheios de paternalismo. Uma total perda de tempo e um total aviltamento de uma ideia virtuosa. A democracia formal limita-se ao voto, mas uma democracia real implica respeito pelo cidadão. Implica dar-lhe a possibilidade, não de decidir, mas de ser ouvido. Por isso digo que a nossa democracia está, e sempre esteve, doente. Porque o cidadão é tratado como um imbecil. Porque presidentes de câmara, como o foi João Soares, e mesmo presidentes de juntas de freguesia, como o foi Vitor Gaio, em S. João de Deus, não se dignam sequer a responder a cartas dos cidadãos. Note-se que estou a falar da governação ao nível mais atómico, onde os contactos com os cidadãos são mais fáceis e necessários. O que poderá justificar que uma câmara municipal planeie durante anos a recuperação de um jardim, por exemplo, sem que os habitantes da zona o saibam? O que poderá justificar que não tenham acesso atempado ao projecto e a possibilidade de apresentar as suas críticas quando ainda há a possibilidade de elas serem levadas em conta, caso sejam pertinentes? É por não compreender, por não aceitar esta ideia de que a democracia seja sempre e em qualquer circunstância uma espécie de ditadura limitada no tempo, que aceitei, agradecido, o convite que me foi feito para participar como independente nas listas do PSD para a Assembleia de Freguesia de S. João de Deus, onde poderia ter, talvez, a possibilidade influenciar um pouco a forma como os cidadãos são tratados. Será que dar voz ao cidadão, ou melhor, será que demonstrar simples consideração pelo cidadão corresponde a apoiar a ideia de "democracia participativa"? Não, de modo algum! Pelo menos na acepção que JMF dá à expressão. E isso acontece porque não proponho que o poder esteja directamente nas mãos dos cidadãos individuais ou nas suas associações, mas sim nos seus representantes eleitos. Mas será que podemos chamar verdadeiramente democrática a uma sociedade onde os eleitos simplesmente ignoram os cidadãos, tratando-os com condescendência e paternalismo? A resposta é um enfático não. Democracia implica capacidade de decidir. Por vezes até capacidade de decidir convictamente contra a vontade de todos. Isso implica a coragem de um Tony Blair, afrontando manifestações e impopularidade. "I don't see impopularity as a badge of honour", disse, enquanto persistiu, convicto, no apoio ao ataque ao regime de Saddam Hussein. Mas há uma diferença enorme entre decidir corajosamente e ignorar os cidadãos. O exercício do poder democrático implica a possibilidade de decidir contra a vontade de alguns, ou mesmo da grande maioria dos cidadãos. Mas não significa necessariamente que as opiniões desses cidadãos não mereçam respeito e resposta. Nem que os detentores do poder possam deixar de informar convenientemente os cidadãos. Colocado por Picuinhas às 01:03 2003/06/16
Gravatas e T-Shirts ou Uma Resposta a José Manuel Fernandes
Et hay nos gens qui supportent plus mal-aysement une robbe qu'une ame de travers : et regardent à sa reverence, à son maintien et à ses bottes, quel homme il est. Aborreço esta gente que tem mais dificuldade em desculpar um fato do que um espírito menos correcto e decidem do valor de um homem pelas reverências, pelo porte e pelas botas. Colocado por Picuinhas às 22:59
Constituições e páginas Para que se possam fazer algumas comparações interessantes, seguem as estatísticas:
A este respeito vale a pena ler o artigo de João Carlos Espada na última edição do Expresso. Correcções ou precisões para Picuinhices@yahoo.com.br. Colocado por Picuinhas às 20:18
Holy Cow Comentário anónimo a uma entrada no Samizdata sobre a Constituição da União Europeia:
Holy cow. The EU constitution is 244 pages long?! The mind boggles imagining the things you could hide in there. How many pages is the US Constitution? Low double digits? I have a version that fits in your pocket that I picked up in law school. Colocado por Picuinhas às 18:36 2003/06/15
A qualidade deste miserável blogue não lhe agrada? Não admira. É que foi traduzido automaticamente do inglês, língua em que são escritas as entradas originais. Para recuperar a versão original, que lhe garanto tem uma qualidade muito superior, siga esta ligação. Verá que o humor fino da versão original inglesa se perde totalmente na tradução.
Colocado por Picuinhas às 23:43
Uma desgraça nunca vem só José Neves assina um artigo no Público que é verdadeiramente de ir às lágrimas:
Imagine, imagine uma pessoa que vive num subúrbio de Lisboa. Imagine que essa pessoa tem um trabalho hoje, não teve um trabalho ontem e o amanhã ainda não cantou. Imagine, já agora, que essa pessoa é mulher. Imagine-a sem marido e com filhos. Peço-lhe mais um esforço. Imagine ainda que essa pessoa nasceu em África. E imagine a viagem que da sede de êxodo a trouxe até aqui. Peço-lhe mais um esforço - peço-lhe no fundo que a sua sede de êxodo acompanhe a da pessoa imaginada. Assim, imagine ainda que essa mulher é lésbica. Pois paira. Mas é o espectro do próprio Marx, que nos continua a atormentar através de organizações como a ATTAC, de que José Neves é membro. Colocado por Picuinhas às 23:38
Merda Roquette Verdadeiramente imperdível, no DN:
Um salto a Paris. Três dias. Chance, chance, merde! Vera Roquette à blogosfera já! Para compor o ramalhete, precisamos mesmo de um coproblogue. Colocado por Picuinhas às 00:47 2003/06/14
Carros sobre passeios esburacados, recantos cheirando a mijo, entulho, lixo, reboco a cair, cantarias sujas de graffitis. Homens bebendo imperiais à porta de tascas cheirando a fritos, a televisão aos gritos. Os lisboetas passam, olham, e não vêem senão uma bela cidade imaginária. O lixo que deixam para o chão, os escarros, volatilizam-se miraculosamente perante o seu olhar. Não existem.
Um amigo americano quebra o feitiço: - Porque é que a polícia não multa os carros sobre o passeio? - Porque os polícias também lá estacionam - é a minha resposta automática. De repente, envergonho-me da minha cidade. Colocado por Picuinhas às 20:54
Torcicolos Frente a uma estante, ingleses ou americanos rodam a cabeça para a direita. Os franceses rodam-na para a esquerda. Os portugueses giram-na para a direita, depois para a esquerda, arriscando-se seriamente a um torcicolo. Os nossos livreiros não poderiam chegar a acordo quanto à direcção dos títulos nas lombadas?
Colocado por Picuinhas às 20:36
Bronca... Onde terei eu ido buscar o «Paulo» Laginha? A bronca ficou registada para a posteridade no Posto de Escuta :-).
Colocado por Picuinhas às 20:26 2003/06/13
Há uns tempos, o Abrupto lançou o desafio de encontrar objectos que cairam ultimamente em desuso. Seria interessante repetir o exercício para palavras ou suas acepções. Quantas palavras não perdemos por terem ganho um sentido pejorativo?
Colocado por Picuinhas às 20:38
Concerto para dois pianos e vento nos choupos Ontem à noite, no belíssimo Miradouro de Montes Claros, Bernardo Sasseti e Mário Laginha deram um memorável concerto para uma pequena audiência de foragidos das marchas populares. Foi bonito ouvir momentos como "Renascer", de Bernardo Sassetti, acompanhados pelo ruído do vento nas folhas transparentes dos choupos. Junto ao espelho de água, os temas passaram por "O sonho dos outros", "Segunda gaveta a contar de cima" ou "Fisicamente", terminando com um notável improviso a quatro mãos, enquanto as partituras voavam com o vento.
Colocado por Picuinhas às 20:33
Blogário Mais contributos para um vocabulário da blogosfera.
Contribuições e correcções para Picuinhices@yahoo.com.br. Colaborações de Gonçalo, comenteiro, e de Nelson Alexandre (a.k.a. Shinho), blogueiro da Espada Relativa. Verbetes indecentemente roubados ao Novo Aurélio Século XXI. Colocado por Picuinhas às 20:11
Juntos Ontem sessão dupla de Lukas Moodysson no cine-teatro Dukes em Lancaster, U.K. O primeiro "Fucking Åmål"/"Show me Love", o segundo "Tillsammans"/"Together". Bom o primeiro, imperdível o segundo. Ambos cheios de humanidade, o segundo de um humor óptimo.
Colocado por Rui Lopes às 16:37
Lapsus linkae O Picuinhices cometeu um lapsus linkae na entrada anterior colocando a mesma âncora para o termo "idiotarian" e para o artigo de Filomena Mónica. Um pedido de desculpas é devido aos nossos leitores mais picuinhas... e aos outros também...
Colocado por Rui Lopes às 16:23
Será a tendência para a utupia inata? Será que a natureza humana nos condenará para todo o sempre a conviver com uma minoria "idiotariana"? É bem possível que sim. Daí que o aviso de Filomena Mónica deve ser levado em conta.
Colocado por Picuinhas às 15:43
Blogues e democracia, no Samizdata:
Blogs are therefore something which empowers the individual, the blogger, regardless of the wishes, and therefore the votes, of a collective who might wish to have a say in what a blogger writes. The correct analogy is therefore the market place... a blog is a open air stall in a marketplace for ideas called the blogosphere. If you find the ideas we are 'selling' interesting (even if you do not agree with them) you will come back for more. If we horrify you or even worse, bore the pants off you, you will probably not come back. But we will write what we will write. There is nothing democratic about that... and long may it be so. De facto. Não gastemos a palavra "democracia". Colocado por Picuinhas às 15:28
A Coluna Infame acabou. O Picuinhices sente-se órfão. O Picuinhices revê-se nas palavras de José Manuel Fernandes:
A "Coluna Infame" acabou. A blogosfera está mais pobre. E o país também - mesmo que a maioria nunca tenha ouvido falar nem da "Coluna", nem da blogosfera. Colocado por Picuinhas às 15:22
Mais Castrismos no Le Monde. Cuba pára durante três horas para poder participar em mais um manifestação oficial, desta vez contra a União Europeia, personificada nos "fascistas" Aznar e Berlusconi.
Colocado por Picuinhas às 14:38
O Blog de Esquerda agarra-se instintivamente a todos os confrontos de manifestantes de esquerda com a polícia. A verdade sofre no processo de "epicização" dos acontecimentos. Um ponto de vista um pouco diferente sobre as manifestações em Paris pode ser lido no Le Figaro:
Le film des événements semble indiquer que les services d'ordre mis en place par les syndicats ont été dépassés par un «noyau dur» de trois cents personnes environ. «Vers 19 heures, une partie des quelque cinq mille manifestants massés place de la Concorde ont tenté de franchir le pont pour rejoindre l'Assemblée nationale, qui était dans leur ligne de mire, explique un policier. Des groupes d'inconnus se sont heurtés aux CRS, qui ont essuyé une pluie de projectiles divers.» De manière assez exceptionnelle, les fonctionnaires en tenue ont été contraints de lancer des grenades lacrymogènes et d'utiliser les canons à eau pour repousser les assaillants. Une vingtaine d'individus ont été appréhendés avant qu'une partie du cortège ne se dirige vers l'Opéra Garnier où, vers 21 heures, plus de deux cents personnes ont fait irruption au moment de l'entracte de Cosi Fan Tutte. A leur tour, une quarantaine de personnes ont été neutralisées. Colocado por Picuinhas às 14:31
Mais mentiras João Lecour envia-nos mais uma contribuição para o rol das mentiras associadas ao caso Wofowitz:
Aqui fica o meu contributo, retirado do Público de 9/6, referindo a intervenção de Maria de Lourdes Pintasilgo no FSP: [...] Entre elas, a controversa entrevista de Paul Wolfowitz, subsecretário de Estado da Defesa dos EUA, à revista "Vanity Fair". "Afirmou que o argumento das armas de destruição maciça foi inventado para fazer a guerra e com tal mentira foram mortas milhares de pessoas e criou-se no mundo uma grande revolta", declarou. Perante uma assistência que foi engrossando ao longo da manhã, Pintasilgo lamentou viver num mundo "onde não conta a vida humana" e frisou que "se o mundo assenta na mentira, então não vale a pena governar". Diz a sra. Pintasilgo que "se o mundo assenta na mentira, então não vale a pena governar"; concordo e acrescento que ainda bem que pessoas como ela não governam, pois como ficou comprovado são capazes de recorrer à mentira mais conveniente. Colocado por Picuinhas às 13:35
José Pacheco Pereira produziu mais uma crónica admirável no Público, amadurecida a partir de textos pré-publicados no seu blogue: O Abrupto. Desta vez é sobre o Fórum Social Português.
Colocado por Picuinhas às 13:23
Lulismos Não sou especialista em impostos, mas quando li a proposta de Lula da Silva de introduzir um imposto sobre o comércio internacional de armas, lembrei-me do Conde-Duque de Olivares, valido de Felipe IV (Filipe III de Portugal). Foi ele que inventou o nefando imposto de selo, na sua forma primitiva de papel selado. O objectivo era aumentar as receitas numa altura em que a situação da Fazenda de Espanha se tornou desastrosa devido à redução das entradas de ouro das colónias, ao esforço bélico constante em todas as partes do império e à guerra com França de 1635 (ver a excelente biografia de Gregorio Marañón). Este tipo de ideias repete-se há séculos: quando não há dinheiro, inventa-se.
Mas a proposta de Lula não terá o condão de irritar a opinião pública. Não. Desde 1635 aprendeu-se muito. Hoje, este tipo de propostas têm um toque de Robin dos Bosques. Os impostos propostos para resolver definitivamente os problemas agora mundiais não incidem sobre todos nós. Incidem, isso sim, sobre um conjunto de entidades mais ou menos remotas e que o pensamento politicamente correcto vê como sinistras e fontes do mal na terra. Primeiro foi a famosa Taxa Tobin, que taxaria as transacções financeiras internacionais, vistas pela cartilha dos movimentos anti-globalização como especulativas e fonte das misérias dos países do terceiro mundo. Agora chegou a vez da Taxa Lula, que propõe a solução milagrosa para a fome no mundo à custa da taxação das vendas internacionais de armamento. A resposta mais eloquente a esta proposta profundamente demagógica foi dada por Sérgio Vasques no Público de ontem, através de um artigo irónico e certeiro: Ora aqui é que a proposta do Presidente Lula se mostra verdadeiramente revolucionária, deixando ver que outra globalização é de facto possível: propõe-se que se combata a fome não só com o novo imposto mas com parte dos juros da dívida pagos pelo terceiro mundo. Com alguma articulação e boa vontade, consegue-se, portanto, a situação óptima impensada nos livros: a indústria do armamento mantém o seu lucro, os contribuintes do primeiro mundo o seu rendimento, os regimes do terceiro mundo as suas prioridades. E uma vez salvo o planeta, quem sabe, talvez se salve o Brasil. Parabéns, Sérgio Vasques! Colocado por Picuinhas às 13:13 2003/06/12
Enlynceceu Pedro Lynce, num ataque violento de socialismo, decidiu chamar a si não apenas a fixação das vagas para o ensino superior público, violando grosseiramente os pequenos passos que ele próprio vinha dando no sentido de uma maior autonomia e responsabilização das instituições de ensino superior público, mas também as vagas do ensino superior privado. O procedimento de redução de vagas "vai ser aplicado a todo o sistema, desde que haja concorrência", disse. É verdadeiramente lamentável. Uma regressão que não esperava deste governo, que aliás me vai desiludindo todos os dias que passam.
Dadas as suas tendências socialistas, proponho Pedro Lynce como organizador do próximo Fórum Social Português e como membro honorário do PCP. Colocado por Picuinhas às 18:22 2003/06/11
Pausa Devido a um período de trabalho mais intenso, os próximos tempos neste blogue vão ser calmos... Espero voltar à acção a partir da próxima semana.
Colocado por Picuinhas às 22:39
A contribuição possível
Só mesmo o Manel e a capacidade de ser amigo dele suporta o facto de eu ser um disblogue. Posto isto, a contribuição possível é uma descoberta musical nova de 3 dias. Isto, também se poderia chamar And now something completely different ... Into my arms by Nick Cave & the Bad Seeds
Desculpem qualquer coisinha os leitores habituais do Manel por este público acto de contrição. Obrigado Manel. Colocado por Rui Lopes às 09:18 2003/06/08
"A Hora dos Professores" Excelente o artigo de António Barreto no Público. Um extracto:
Ainda há centenas de professores que não dão aulas, ou quase não dão aulas, reservando para os assistentes dependentes e os convidados acidentais essa que deveria ser uma sua nobre tarefa. Há numerosos professores que nada investigam, limitando-se a repetir aulas ou artigos velhos de idade e de ideias, sem efectiva avaliação ou, pior ainda, sem consequências das avaliações feitas. Há faculdades que multiplicam os números de cadeiras e disciplinas, na esperança de assim resolver problemas de corpo, ao mesmo tempo que se "fabricam" turmas sem alunos. Há faculdades com mais de 1.500 disciplinas, muitas das quais absolutamente inúteis, mas cuja função primordial é a de manter professores na inactividade. Há cursos de mestrado concebidos com o objectivo essencial de preencher, no papel, horários docentes inexistentes. Há centenas de professores em acumulação mais ou menos lícita, ao abrigo de expedientes legais estranhos. Há centenas de professores que faltam às aulas, sem sequer advertir os seus estudantes. Há centenas de professores que assinam os trabalhos dos seus dependentes e os publicam para sua glória. Há centenas de professores que não recebem regularmente os estudantes, não acompanham os trabalhos dos seus doutorandos, demoram por vezes meses a publicar as pautas de exames e chegam a fazer esperar mais de um ano um candidato a doutor. Há centenas de professores com "horário zero" (e milhares no sistema educativo em geral), há dezenas e dezenas de professores sem aulas e ao serviço do sindicato (são muitas centenas no sistema), há centenas de universitários (e milhares de professores ao todo...) requisitados nos gabinetes dos ministros, nos departamentos ministeriais, nas autarquias e noutras instituições de repouso académico! Colocado por Picuinhas às 23:19
Contributos para um vocabulário da blogosfera Ao cuidado do Prof. João Malaca Casteleiro, seguem alguns contributos humildes para a próxima edição do Dicionário da Academia. Com estes novos verbetes, o Dicionário ficará finalmente completo. Definitivo. Imutável.
Contribuições e correcções para Picuinhices@yahoo.com.br. Colocado por Picuinhas às 22:28
(Diabos! Lá vou eu, honesta e humildemente, comprar o "Hail to the Thief"...)
Colocado por Picuinhas às 04:06
Radiohead Gosto demasiado desta banda para suportar os lugares comuns e os absurdos de que está cheio o início da entrevista do baixista da banda, Colin Greenwood, à revista Actual, do Expresso. Acerca do título do novo álbum, "Hail to the Thief", diz:
Refere-se igualmente ao modo como as empresas hoje nos roubam uma parte das nossas vidas, ou da nossa cultura, aniquilando o legado de nossos pais e avós, substituindo-a por coisas como os MacDonald's e essas porcarias. Um exemplar autografado do novo album para o José Bové. Já! Colocado por Picuinhas às 04:03
Feira do Livro Xenófoba Porque diabo não há uma banca que seja na Feira do Livro com livros estrangeiros? Será o mesmo tipo de "defesa da língua" que se usa quando proíbem as teses de mestrado ou doutoramento em inglês? Ou serão apenas os livreiros a protegerem as suas traduções?
Colocado por Picuinhas às 03:47
Ainda mais deturpações Ainda no expresso, em artigo de Paulo Paixão:
Discussões sobre uma declaração do secretário-adjunto da Defesa dos EUA, Paul Wolfowitz, adensaram as dúvidas sobre as teses da Casa Branca. Em entrevista à «Vanity Fair», Wolfowitz disse que a existência de armamento de eliminação em massa foi apresentada como motivo para invadir o Iraque «por razões que têm muito a ver com a burocracia dos EUA». Isto é, foi preciso formular «uma questão com que toda a gente pudesse concordar». Esta asserção foi vista por comentadores [Ana Sá Lopes, Paulo Paixão, Mário Soares, Ruben de Carvalho, e outros leitores assíduos da Vanity Fair] como uma confissão: o argumento das armas não passaria, afinal, de um pretexto para invadir o Iraque. Repito de novo (paciência, caros leitores) a citação completa de Wolfowitz: The truth is that for reasons that have a lot to do with the U.S. government bureaucracy we settled on the one issue that everyone could agree on which was weapons of mass destruction as the core reason, but …there have always been three fundamental concerns. One is weapons of mass destruction, the second is support for terrorism, the third is the criminal treatment of the Iraqi people. Actually I guess you could say there's a fourth overriding one which is the connection between the first two. Colocado por Picuinhas às 02:56
Cinismo parcial O cepticismo é uma arma importante, mas em excesso conduz ao mais simples e mesquinho cinismo. Se o cinismo é mau, ainda é pior quando é parcial, aplicando-se apenas aos adversários políticos, e quando é cego ao ponto de não vislumbrar em nenhuma possível acção do adversário senão o interesse, recusando-se a ver nos actos simples convicção e boa-vontade. É isto que faz Mário Soares, que transformou o cinismo numa profissão.
É fácil ser cínico. Como poderemos nós negar que os esforços de Bush para fazer avançar o processo de paz no médio oriente se devem à má situação da economia americana e ao aproximar das eleições presidenciais? Se Bush tivesse abandonado o médio oriente à sua sorte, cá estaria Mário Soares a explicar-nos porque isso se devia obviamente aos interesses mais mesquinhos do presidente dos EUA, provavelmente o interesse de apaziguar o "lobi judaico em Washington"... Para que a minha crítica fique melhor documentada, segue pequeno extracto da coluna de Mário Soares no Expresso: Voltemos, provisoriamente, a página. Trata-se agora de de genhar a paz. É a fase em que nos encontramos. E, na passada, se possível, para o Presidente Bush, ganhar as próximas eleições presidenciais em Novembro de 2004. É agora a sua preocupação dominante. Ora a situação económico-financeira da América – e, portanto, do mundo – não ajudam nada: há que as inverter. Tirando o óbvio problema de Soares com as vírgulas, percebe-se perfeitamente que Mário Soares não poderia evitar elogiar os recentes esforços de paz de Bush e as posições felizes de Sharon, mas tinha de começar por lhes dar uma justificação interesseira. Tinha de ser. Há que ser cinicamente coerente, não é? Colocado por Picuinhas às 02:26
Mais deturpações Isto torna-se repetitivo... Agora foi Mário Soares, no Expresso, que repetiu as declarações truncadas de Wolfowitz à Vanity Fair, desta vez não apenas desinseridas de contexto, mas simplesmente adulteradas (note-se na pseudo-citação "foram um expediente burocrático"):
Sobretudo, quando se sabe agora (Paul Wolfowitz, «dixit», à revista «Vanity Fair») que as armas de destruição maciça, em poder de Saddam Hussein, nunca existiram: «foram um expediente burocrático» inventado pelos serviços para convencer os incautos... Confissão inacreditável! Eles repetem a mentira, nós repetiremos os desmentidos. A mentira não ganhará aparência de verdade pela repetição. A blogosfera não o permitirá. Colocado por Picuinhas às 02:05
José António Saraiva escreve mal e argumenta pior. No seu editorial no Expresso de ontem refere a cegueira efectiva de Cunhal como pretexto para falar da sua cegueira ideológica. Um enorme mau gosto. Mas não se fica por aqui. Diz ele que:
O jornalismo que se pratica em Portugal nem sempre prima pela qualidade e há hoje nos grupos de «media» uma sumissão ao «patrão» maior do que havia há vinte anos. Talvez seja verdade. Mas se o for, exigimos todos que José António Saraiva explique muito bem explicadinho como é que esta afirmação se aplica ao Expresso, aos seus jornalistas, e a ele próprio. Quero saber se continuo a ler o Expresso ou não. Finalmente, José António Saraiva remata com um argumento absurdo para demonstrar que é um disparate afirmar que os "patrões [agora sem aspas] dos «media» [mas aqui sim]" determinam e controlam tudo: Ora a solidariedade com o povo de Timor [que ocupou os nossos média durante meses] ou o antiamericanismo [da oposição à intervenção no Iraque que dominou os média portugueses] interessava alguma coisa aos «grandes potentados financeiros» de que fala Álvaro Cunhal? Como se não fosse do interesse dos "patrões" vender jornais ou aumentar audiências fornecendo aquilo que o público mais desejava... Colocado por Picuinhas às 01:48
Definitivamente. É mesmo mentira voluntária. Veja-se o que disse Ruben de Carvalho no Diário de Notícias:
Nele [no editorial de José Manuel Fernandes no Público de sexta-feira] se expõe que, sobre o Iraque, Wolfowitz não disse à Vanity Fair aquilo que disse sobre o embuste das armas de destruição maciça e as reais motivações petrolíferas, mas sim que as armas de destruição maciça foram um embuste e as reais motivações foram petrolíferas. Para que não sobrem dúvidas, seguem de novo as afirmações contextualizadas de Wolfowitz. Acerca do petróleo no Iraque: Look, the primarily difference - to put it a little too simply - between North Korea and Iraq is that we had virtually no economic options with Iraq because the country floats on a sea of oil. In the case of North Korea, the country is teetering on the edge of economic collapse and that I believe is a major point of leverage whereas the military picture with North Korea is very different from that with Iraq. The problems in both cases have some similarities but the solutions have got to be tailored to the circumstances which are very different. Acerca das armas de destruição em massa: The truth is that for reasons that have a lot to do with the U.S. government bureaucracy we settled on the one issue that everyone could agree on which was weapons of mass destruction as the core reason, but …there have always been three fundamental concerns. One is weapons of mass destruction, the second is support for terrorism, the third is the criminal treatment of the Iraqi people. Actually I guess you could say there's a fourth overriding one which is the connection between the first two. Colocado por Picuinhas às 01:27
A asneira continua. Agora é Ana Sá Lopes que repete, mais uma vez no Público, as falsidades acerca de Wolfowitz:
A dúvida reside apenas em saber "se foram destruídas ou não antes da intervenção norte-americana", uma dúvida de peso, que põe em causa o argumentário em que se centrou a propaganda americana sobre a guerra, "por razões burocráticas", conforme disse o subsecretário da Defesa norte-americano, Paul Wolfowitz, explicando que era a única matéria onde a comunidade internacional mais facilmente se podia entender. Já não há paciência que ature isto. Será impossível que esta gente se informe? Ou será que tentam, pela repetição exaustiva da mentira, dar-lhe a aparência de verdade? Depois, em adenda, Ana Sá Lopes refere o caso da pedofilia dizendo: (Subitamente, os assassinos passaram a ter uma maior consideração no mercado da opinião pública). Numa revista, esta semana, o cronista social Carlos Castro pedia a pena de morte para os pedófilos. É assim. Defender a pena de morte é o mesmo que ser assassino... O Público é um jornal equilibrado, do ponto de vista do espectro político dos artigos de opinião que publica. Mas, sinceramente, era boa ideia começar a pensar em mudar alguns dos seus colaboradores. Não por questões ideológicas, mas simplesmente porque é fundamental que quem opina num jornal saiba pensar. Colocado por Picuinhas às 00:57
Saramaguices Saramago no Fórum Social Português vem-nos dar lições de democracia. Diz ele que a nossa democracia está "em regressão". Saramago tem razão: deveríamos ter seguido há muito os seus conselhos. Se o tivéssemos feito a nossa democracia não estaria em regressão: pura e simplesmente não existiria.
(Alerta do nosso bloguista virtual, Rui Lopes. Uma tese para escrever fala mais alto, muito mais alto, que qualquer blogue.) Colocado por Picuinhas às 00:09 2003/06/07
De novo o caso Wolfowitz O Guardian desculpa-se. Comparar com o pífio esclarecimento do Público.
Colocado por Picuinhas às 15:19
O Fascismo Americano Segundo Miguel Sousa Tavares "as pessoas levam isso [a campanha anti-tabaco nos EUA] para a anedota, mas foi aí que começou o fascismo americano". O tal fascismo que, através da mentira descarada, derrubou a democracia Iraquiana...
Colocado por Picuinhas às 03:06
Relação entre Terrorismo, Educação e Pobreza? Pouca, ou nenhuma, segundo Alan B. Krueger e Jitka Malecková no The Chronicle of Higher Education. (Via Arts & Letters Daily). Citações:
In December 2001, the Palestinian Center for Policy and Survey Research, in the West Bank city of Ramallah, conducted a public-opinion poll of 1,357 Palestinians age 18 or older in the West Bank and Gaza on topics including the September 11 attacks in the United States, support for an Israeli-Palestinian peace agreement, and attacks against Israel. Colocado por Picuinhas às 02:58
Porque será que uma medida liberal, fazer pagar os utilizadores de uma serviço, foi implementada por um trabalhista da primeira via, Ken Livingstone? Por ser de elementar bom senso, talvez. Um exemplo a seguir em muitas outras cidades.
Colocado por Picuinhas às 02:46
Wolfowitz no Público José Manuel Fernandes explica o caso. O jornal publica um esclarecimento. Miguel Sousa Tavares insiste na falsidade (admito não ser uma mentira deliberada), não só acerca de Wolfowitz, como de Hans Blix, cujas afirmações nunca corroboraram as afirmações dos opositores da coligação que interveio no Iraque.
Colocado por Picuinhas às 02:38 2003/06/06
Vejam o Jaquinzinhos sobre o Forum da Realidade Virtual. Imperdível.
Colocado por Picuinhas às 19:07
Oda a los Números
Qué sed Colocado por Picuinhas às 16:40
Jornalismo de Ficção é o veredito do Rui, colaborador virtual deste blogue, acerca da desinformação que grassa pelos nossos meios de comunicação social.
Colocado por Picuinhas às 14:45
Ironias Eduardo Prado Coelho no Público de ontem:
Recordo um exemplo da minha experiência pessoal. Quando fui conselheiro cultural em Paris, dei uma entrevista a um correspondente do "Expresso" sobre questões de língua e cultura portuguesas em França. Nela dizia o que ainda hoje penso: que era irrealista pedir aos luso-descendentes que levassem os seus filhos a escolher o português como primeira língua estrangeira; que era legítimo que, por motivos de formação profissional e mercado de trabalho, eles escolhessem o inglês como primeira língua estrangeira desde que escolhessem o português como segunda língua estrangeira. Ironias do destino. Eduardo Prado Coelho deveria ter aprendido a lição. Citar fora do contexto é muitas vezes um acto deliberado de desinformação. Que dizer então da sua crónica no Público de quarta-feira? Não foi sem espanto nem perplexidade que o mundo tomou conhecimento das declarações de Paul Wolfowitz à revista "Vanity Fair". Não pelo facto do que ele disse, que apenas confirma suspeitas que o cidadão comum já tinha, mas por ter tido o desplante de o dizer. Que afirmou Wolfowitz, número dois da hierquia da Defesa americana? Pois é, caro EPC, convém ter um pouco mais cuidado. Que tal ler to texto integral da entrevista? Colocado por Picuinhas às 08:33
A Arrogância da Esquerda Continua Diz o Linhas de Esquerda:
Zé Mário do BDE afirma que a esquerda ainda acredita na humanidade. Eu partilho dessa opinião e acrescento que a esquerda na sua maioria é o garante e o poço da moralidade social. Não dos falsos moralismos, que se confundem com os bons costumes inscritos na bíblia do jet-set, mas aqueles que permitem uma sociedade avançar coesa para o futuro. Sentimentos como a solidariedade, a partilha, o voluntarismo entre outros são abraçados pela esquerda de uma maneira mais aberta e desinteressada. Resumindo, penso que a capacidade para o altruísmo é superior na esquerda do que na direita não implicando que a primeira tenha o monopólio dele. É por isso que durante anos, nos meios de esquerda (familiares) por onde me movimentei, a caridade era apresentada como imoral e destinando-se a satisfazer o amor próprio de quem praticava o acto caridoso. O argumento era sempre o de que devia ser a acção social do estado a resolver o problema, acção social essa que, se não funcionava bem, era por não termos ainda um estado verdadeiramente socialista. Pelos vistos este discurso absurdo e profundamente estúpido continua. Note-se bem: "não dos falsos moralismos, que se confundem com os bons costumes inscritos na bíblia do jet-set". Um acto altruista vindo da esquerda? É verdadeiro e desinteressado. Vindo da direita? É falso e interesseiro. Não é isto o maior dos preconceitos e a maior das arrogâncias? Colocado por Picuinhas às 00:46
Via o excelente e atento Valete Frates!, mais sobre as manipulações das afirmações de Wolfowitz:
NOVA MANIPULAÇÃO JORNALÍSTICA: O DISCURSO DE WOLFOWITZ NOTICIADO PELO GUARDIAN (e pelo Público) Parece que um jornal Alemão noticiou uma entrevista de Paul Wolfowitz. A tradução dessa notícia em alemão foi manipulada e permitiu ao Guardian noticiar que Wolfowitz justificava a guerra no Iraque com o argumento do petróleo. O Público faz hoje eco desta notícia. No entanto, desde ontem que se sabe que esta notícia é MENTIRA. O Instapundit revela TODA A VERDADE (aqui). Daniel Drezner também blogou sobre o assunto. Como se pode ler na transcrição da entrevista, o que Wolfowitz disse foi o seguinte: Look, the primarily difference - to put it a little too simply - between North Korea and Iraq is that we had virtually no economic options with Iraq because the country floats on a sea of oil. In the case of North Korea, the country is teetering on the edge of economic collapse and that I believe is a major point of leverage whereas the military picture with North Korea is very different from that with Iraq. The problems in both cases have some similarities but the solutions have got to be tailored to the circumstances which are very different. Portanto, o grande crime de Wolfowitz foi dizer que enquanto o petróleo iraquiano colocava o regime saddamita ao abrigo da pressão das sanções económicas, o mesmo não acontece com a Coreia do Norte. Sacanas dos neo-conservadores, cambada de imperialistas, cambada de colonialistas, cambada de...americanos. É este o jornalismo a que temos direito? É isto jornalismo? Esperemos pelo desmentido e pelo pedido de desculpas...(sentados). P.S. Entretanto o Guardian já retirou a notícia do site (aqui)...e PUBLICOU O PEDIDO DE DESCULPAS (aqui). Agora só falta o Público... P.S.2 Linhas de Esquerda sent the e-mail that motivated this post. P.S.3 Pelos vistos, já outros blogs Intermitente, Jaquinzinhos, Abrupto, Liberdade de Expressão) tinham tratado esta questão. De qualquer forma, nestes casos nunca é demais denunciar estas manobras de desinformação. P.S.4 A alegria com que a esquerda acolhe estas mentiras e a forma escarniçada como se agarra a elas (contra toda a evidência), ilustram bem o estado de alma em que se encontra. (Entrada do blogue Valete Frates!, transcrita sem a devida autorização, mas por uma boa causa.) Colocado por Picuinhas às 00:32
Daniel Oliveira volta a atacar Diz ele no Blog de Esquerda:
O Pedro Lomba desafia a lógica e isso é divertido. O Pedro Lomba está contente, mesmo muito satisfeito, porque ao contrário do que dizia a extrema-esquerda histérica anti-americana primária, os americanos não plantaram armas de destruição massiva no Iraque. Não! Foram honestos. Atacaram e nem se preocupam em esconder que era tudo uma mentira. O senhor Wolfowitz contou tudo à comunicação social: foi ele que inventou a história porque achou que ela resultava. O homem é um génio. Um irresponsável, mas um génio. Um fanfarrão desbocado, mas um génio. Um dia, sentado à lareira, ainda há-de apontar para uma velha fotografia de Bagdad destruída e dizer ao seu neto, com um sorriso doce e orgulhoso, «fui eu, meu querido, isto fui eu que fiz». Assassinos sim. Mas honestos. Pelos vistos Daniel Oliveira não tem lido jornais (nem blogues). Caso contrário teria evitado repetir a indignação sem fundamento que nos últimos dias invadiu editoriais e artigos de opinião: há já dias que se sabe que a citação das palavras de Wolfowitz feita pela Vanity Fair foi retirada do seu contexto, tendo-se com isso deturpado total e propositadamente o seu sentido. Numa coisa, porém, Daniel Oliveira tem razão. É absurdo que Pedro Lomba, que apoiou a intervenção no Iraque, se regozije agora pelo facto de os EUA não terem "plantado as provas" no terreno, como a esquerda em peso desejou que acontecesse. Esse regozijo lança fundadas suspeitas de que no fundo Pedro Lomba receou que os EUA de facto falsificassem provas da existência de armas de destruição em massa no Iraque, pois de outra forma não teria esperado pelas declarações da administração americana de que ainda não há sinais delas. Além disso, coloca-o na posição desconfortável de, no caso de as armas serem mesmo encontradas, ter de ser coerente e admitir que afinal elas possam de facto lá ter sido "plantadas": como poderia ele provar o contrário? Pedro Lomba nunca deveria ter invertido o ónus da prova. Quem disse que as provas seriam falsificadas que o demonstre, se puder. A verdade é simplesmente que essas afirmações revelam cinismo doentio e raiva cega. A mesma raiva que leva Daniel Oliveira a terminar a sua diatribe dizendo que os membros da administração de Bush, e Wolfowitz em particular, são "assassinos". Onde Daniel Oliveira foi encontrar os assassinos... Será que uma excursão às valas comuns no Iraque apuraria o seu faro político? Colocado por Picuinhas às 00:10 2003/06/05
As citações desonestas de Wolfowitz continuam. Vejam o Valete Frates! e o Intermitente.
Colocado por Picuinhas às 00:19 2003/06/04
Aos habitantes da Biblioteca de Babel faltava o Google, o maravilhoso Google.
Colocado por Picuinhas às 19:09
Ocorreu-me que o crescimento da Web a transformará numa Biblioteca de Babel:
Alguém terá alguma vez analisado os escritos de Borges do ponto de vista matemático? Colocado por Picuinhas às 18:54 2003/06/03
Desprezo da direita Uma conversa:
Rui: É que não há mesmo melhoras: Uma das diferenças principais entre a esquerda e a direita tem a ver com a capacidade de acreditar, ou não, no Homem, na Humanidade, na natureza humana (chamem-lhe o que quiserem). A direita não acredita e faz gala de exibir o seu desprezo pelas multidões, pela "maralha", enquanto defende que no fundo somos todos intrinsecamente maus como as cobras, com as devidas e beatíficas excepções. Nós, na esquerda, somos lúcidos e por isso também temos os nossos momentos de cepticismo (basta ir ao Centro Comercial Colombo nas vésperas de Natal). Mas depois temos essa arma extraordinária que é a esperança. Sabemos que o Homem não é intrinsecamente bom, mas esperamos que um dia venha a ser. Enquanto houver gestos como o da Cristina, vale a pena resistir ao desânimo e sobreviver às desilusões. Manuel: De onde veio isso? Rui: Adivinha, vá... ;-) Manuel: EPC? Caramba! Como fui capaz? ;-) Rui: Ná. Nem ele nos seus piores dias é capaz de uma coisa destas... Foi o nosso amigo "Zé Mario" do Blog de Esquerda. Manuel: Oh... Falhei... Rui: É curioso, depois de tanta ternurice "estala a bomba e o preconceito está no ar". Manuel: Vale a pena responder-lhe. Rui: É tao mau e tão preconceituoso que acho que não. Tudo o que nós lhe dissermos deve-se à nossa "maldade". Manuel: Vale, vale. É bom que estas coisas fiquem esclarecidas. Rui: É triste ver como esta gente é preguiçosa. Dão-lhe um qualquer catecismo e pronto... é evangelizar minha gente... Manuel: É verdade que a direita é céptica em relação à natureza humana. Que não tem ilusões. Mas não despreza ninguém. Antes pelo contrário. Quanto à esperança, o Zé Mário não clarifica (convenientemente) se essa esperança é próxima ou longíqua. Se for próxima, abre-se de novo o caminho para o "homem novo" socialista. O tal que foi criado à força. Se não, não tem relevância política. O cepticismo em relação à natureza humana é que a leva a propor sistemas políticos com órgãos independentes, que se controlam mutuamente, e a deixar muito fora da alçada do estado. Rui: Ora nem mais. O que torna totalmente falaciosa a crenca na bondade humana da esquerda. Nada mais do que o liberalismo faz fé na "não-maldade" do Homem. Isto é, por defeito, a "maralha" porta-se bem. Quando não, isto é quando cercia a liberdade dos outros, então os orgãos (surpresa, surpresa, do Estado) intervêm. That's it! Manuel: É verdade. É uma posição de princípio de confiança, embora com mecanismos de coerção preparados para intervir em caso de abuso. Mas é também uma posição de realismo. O ser humano só pode ser feliz se for livre de fazer as suas asneiras, de se desenvolver autonomamente. Se puder chamar seu a alguma coisa. Rui: Por oposição a isto, nos outros sistemas é que a desconfiança apriorística existe. Exemplo: se tu tens a inicativa de fazer alguma coisa, então és um porco capitalista que só queres é ganhar dinheiro à custa dos outros... é simplista mas é a realidade... vai daí o melhor é o Estado fazer tudo porque nos somos é todos uns grandes malandros... Manuel: Lutar por um comunitarismo com o qual a natureza humana é incompatível é que é perverso. Rui: Só faz sentido quando resulta de uma escolha também ela livre: e.g., as comunidades religiosas. Nada contra, podiam ter escolhido outra forma de vida totalmente diferente. Manuel: Verdade. Totalmente verdade. A esquerda o que gosta, no fundo, é que haja um Lynce que, numa atitude totalmente centralista, e lembrando os planos quinquenais, decide omnisciente sobre o número de vagas a reduzir em todos os cursos de todas as universidades públicas. Irónico? Não... Se o ministro fosse de esquerda, i.e., verdadeiramente honesto e inteligente, tomaria as suas decisões de forma incontestável... Seria apenas necessário fazer-lhe uma vénia e esperar por outras decisões infalíveis. Rui: "Brincando" com o Luís, chamei àquela coisa do reduzir as vagas nas grandes cidades "a Pol Potização" do ensino superior. Manuel: Absolutamente! Os kibutz, por exemplo. Se querem, nada a objectar! É isso o liberalismo. Mas a intenção do socialismo era impor o comunitarismos aos outros. A ideia é bonita, em abstracto. Por isso deve ser aplicada. Os cidadãos não querem? Coitados, não sabem o suficiente. Imponha-se. Manuel: Exactamente! Um total absurdo que arruína a imagem positiva que o ministro vinha criando com o aumento das propinas e as alterações na gestão das escolas. Rui: Claro que concordo que os estabelecimentos de ensino superior representam uma coisa importante para as cidades do interior. Lancaster é um óptimo exemplo. No entanto... Lancaster tem os alunos que tem à custa da qualidade de ensino que tem, dos Professores que tem, e do facto destes terem aqui condições que são suficientemente interessantes para estar aqui e não em Londres ou qualquer outra cidade do Sul. Manuel: Exacto. É muito soviético isto de levar as pessoas para o interior piorando as condições no litoral... Rui: Por exemplo, o meu orientador não dá aulas porque a Universidade acha que é mais importante ele apenas orientar Ph.D. e ter projectos internacionais de onde sai o salário dele - o qual se não me engano é acordado individualmente - oooppppsss que lá toquei noutro dogma - o da contractação colectiva ... desculpem... é esta maldade que do meu lado direito me vem Manuel: Nos EUA também é assim. O serviço docente depende da investigação feita. O salário é contratado individualmente. Pelos vistos dá resultado... Rui: Que ideia absurda a tua. Entao essa gente dos EUA não são todos uns "grunhos" brutos, incultos e do culto da violencia???? Manuel: Uns cóbois ignorantes que não sabem onde fica Portugal no mapa. E que chamam grecians aos gregos! Rui: Assim como qualquer português aponta no mapa - com venda e depois de 50 piruetas - o estado do Wisconsin, ou o Estado do Pará... somos assim poços sem fundo de cultura... Manuel: Exacto. Sabes, no fundo liberalismo é uma posição de simples bom senso. Por isso é tão usual os jovens serem esquerdistas e, já adultos, irem crescendo para a direita... Só não acontece a quem é imune à experiência. Rui: É o preconceito sabes. Nada mais do que o preconceito. O confortável e pouco exigente preconceito. Rui: Era tão bom tudo ser assim.... Manuel: E uma cegueira que impede de ver a forma como realmente somos. Rui: Norte americano -> cóboi ignorante Rui: De direita -> gente intrinsecamente boa mas que se perdeu e perdeu a esperanca nos outros. Rui: É como te ia dizendo no início. É por estas e por outras que me questiono se valerá a pena responder... Manuel: Vale! Importas-te que coloque esta conversa no blogue? Rui: Siga, siga, sempre serve de "resposta". Colocado por Picuinhas às 11:56 2003/06/01
Esther Mucznick tem razão quando diz que Arafat, "O Velho", é o maior obstáculo à paz no médio oriente. Não tem razão quando diz que a Europa, ao continuar a prestar vassalagem ao "Velho", continuará a ser irrelevante no processo de paz. Na realidade, a Europa arrisca-se a ter um relevantíssimo papel: fazer o processo descarrilar.
Colocado por Picuinhas às 01:10
Helena Matos responde a Mahomed Yiossuf Mohamed Adgamy. Não resisto a colocar aqui os versos sobre a liberdade que cita no final da sua resposta:
Colocado por Picuinhas às 00:30
As Contas de Ralf Dahrendorf Como pode Ralf Dahrendorf repetir números que já ouvi citados por anti-americanos de um primarismo confrangedor? Onde encontrou Ralf Dahrendorf informação acerca dos resultados eleitorais nos EUA? Como concluiu ele que "poucos presidentes americanos têm sido apoiados por mais de dez por cento dos eleitores"? Alguns números obtidos na Federal Election Comission:
10% de apoio ao presidente eleito? Afinal, Clinton e Bush foram eleitos por 24,1% e 24,5% da população em idade de votar, respectivamente... Nem metade dos possíveis votantes estão registados? Afinal, são cerca de 75%! Nem metade dos registados vota? Afinal são cerca de 66%! Dos que votam, menos de metade votam no candidato vencedor? Sim, desta vez é verdade. Mas convenhamos que 47,87% e 49,24% são pouco menos de metade... Nada pior do que a desinformação. Colocado por Picuinhas às 00:18 2003/05/29
A Escova dos Dentes de Saddam Um notável artigo de Fernando Gil no Diário de Notícias, que é também uma excelente resposta à escova dos dentes que Eduardo Lourenço disse ser a única coisa que Saddam Hussein não tinha declarado aos inspectores das Nações Unidas. Excelentemente argumentado, retoma a questão importante de que a guerra no Iraque teve por justificação a ausência de provas credíveis da destruição das Armas de Destruição em Massa, e não o facto de elas existirem. Prémio para o artigo mais lúcido dos últimos tempos.
Colocado por Picuinhas às 14:32
As minhas opiniões contra a condenação da homossexualidade já foram zurzidas pela Voz do Deserto numa série de entradas (Piegas a Piegas IV). Um extracto: "Será que o Picuinhas também olha para Jesus como uma espécie de Gandhi mais vestido? O supra-sumo do Tipo Porreiraço? E o Mestre que afirma: 'não cuideis que vim trazer a paz à terra; não vim trazer paz, mas espada'? Esse não será certamente citado nas Semanas da Religião da Universidade Nova." A forma como olho para Jesus é irrelevante. Olho para as acções das Igrejas que existem com o seu nome e o que vejo geralmente agrada-me. Quando não me agrada, digo-o. É o caso.
Colocado por Picuinhas às 08:52
Que desilusão... Sharon aprova o Roteiro de Paz e usa a palavra "ocupação". Parece que Bush está mesmo empenhado em levar o processo de paz a bom porto. Que desilusão para a nossa esquerda...
Colocado por Picuinhas às 01:13
uF8E7 É uma cabala contra Fernando Rosas, que vê os seus textos no Público invadidos por esta estranha sigla. É com certeza José Manuel Fernandes que os põe lá.
Colocado por Picuinhas às 00:40
A Traição da Liga para a Protecção da Natureza Vai-se realizar mais uma Festa do Av... perdão, o primeiro Fórum Social Português. Segundo as páginas Web do dito, podem participar aqueles que se revêem na chamada Declaração de Coimbra ou na Carta de Princípios do Fórum Social Mundial, que contêm as seguintes pérolas:
O Fórum Social Português representa em Portugal um processo de encontro, convergência e participação da cidadania organizada e das pessoas, independentemente da sua nacionalidade, que se revêem e subscrevem a Carta de Princípios de Fórum Social Mundial. Este espaço não pretende representar o conjunto da sociedade portuguesa, mas amplificar a voz d@s muit@s que condenam as políticas económicas, sociais, ambientais e culturais do neoliberalismo, a guerra, o sexismo, o racismo, a homofobia, a xenofobia, a pobreza, a exclusão social e a injustiça. Não se podia ser mais claro: os participantes são anti-liberais e de esquerda. Tudo bem, até aqui. O pior é que a Liga para a Protecção da Natureza, de que sou sócio convicto embora passivo, irá participar. Sinto-me traído. Colocado por Picuinhas às 00:06 2003/05/28
A Web no seu melhor: Wikipedia, uma enciclopédia global e aberta. Qualquer um pode editar os textos, acrescentá-los, corrigi-los. Um verdadeiro trabalho colectivo e praticamente anónimo. Os conteúdos são de excelente qualidade. Uma espécie de Open Source para o conhecimento.
Colocado por Picuinhas às 23:03
Gostei da aplicação da Navalha de Occam proposta pelo Liberdade de Expressão para explicar a agitação judicial recente em Portugal: "as instituições estão finalmente a funcionar". Espero que seja verdade.
Colocado por Picuinhas às 22:48
Mais contributos para a discussão Ao cuidado da Associação Protectora do Prof. João César das Neves.
Diz Valete Frates!, na entrada de 14 de Maio que fez o favor de me enviar, que "[...] César das Neves tem toda a liberdade de manifestar os seus pontos de vista e de actuar de acordo com a sua consciência, da mesma forma que os activistas homossexuais o fazem [...]" e ainda que "[...] as opiniões de César das Neves têm especial valor porque dão voz a uma opinião que normalmente é abafada pelo politicamente correcto". Concordo inteiramente. Não concordo muitas vezes com as opiniões de César das Neves, mas não há dúvida que a polémica que elas levantam é saudável. Diz ainda que "o critério de moralidade apresentado pelo Picuinhas é o seguinte: 'são morais todos os comportamentos livremente consentidos, desde que os intervenientes sejam maiores e estejam na posse de todas as suas faculdades'". Não anda longe da verdade. Mas falta o essencial: a liberdade e os direitos de terceiros não podem ser afectados. É uma pequena diferença que faz toda a diferença. Daí que não se possa concluir que "por exemplo, assassinar e roubar são pecados de acordo com os dois critérios; cobiçar o conjuge ou os bens de outrém não é pecado de acordo com o primeiro critério [o meu], mas é pecado de acordo o segundo critério [o de César das Neves]". De facto, ambos são errados de acordo com o critério que apresentei, que de resto não quero apresentar como definitivo, note-se. Valete Frates! levanta depois uma questão interessante, a que não sei responder cabalmente. Sugere ele que "aquilo que o Picuinhas considera ser um critério de moralidade é, na realidade, um critério de "legalidade" (de "justa conduta", de "interacção pacífica"); deveria ser um dos princípios utilizados para definir o que é uma intervenção legítima das autoridades responsáveis pela manutenção da segurança pública e para a condenação de determinados actos em juízo". Mas a verdade é que a legalidade se deve basear num consenso moral, num menor múltiplo comum (ou talvez um pouco mais) das sensibilidades morais de um povo, auscultadas normalmente de forma indirecta através da eleição de assembleias legislativas, e ocasionalmente através da democracia directa do referendo. Assim, os critérios de legalidade reflectem uma moral subjacente. Daí que me pareça que, se o critério que apresentei pode ser usado para definir um critério geral de legalidade, é também porque pode ser visto como um critério mínimo de moralidade. É evidente que é um critério "mínimo". É isso que deixa latitude aos católicos para recorrer a critérios mais apertados, desde que o seu exercício não viole a lei. É por isso, talvez, que a a igreja condena a homossexualidade, mas aceita os homossexuais. Sinais dos tempos e do aggiornamento. Quanto à relação destas questões com o Liberalismo Clássico, confesso que não sei o suficiente para me pronunciar. Talvez mais tarde, quem sabe. Colocado por Picuinhas às 22:35
Esquerda e Ensino Superior São já bastantes as figuras da esquerda que apoiam uma revisão do financiamento do ensino superior que passe pelo aumento das propinas. Agora é a vez de Eduardo Prado Coelho, que também apoia a retirada dos estudantes dos órgãos de gestão das escolas. Há esperança.
Colocado por Picuinhas às 09:14 2003/05/27
Próximo Tema: O Direito à Arquitectura Amanhã publicarei as minhas primeiras opiniões sobre o assunto.
Colocado por Picuinhas às 00:42
Blog Block Com deve ser óbvio, houve aqui uma ataque temporário de blog block. Já está resolvido.
Colocado por Picuinhas às 00:40
Pedofilia Não referi o assunto até aqui. Não o referirei. Não tenho nada de relevante a acrescentar.
Colocado por Picuinhas às 00:39
De novo João César das Neves No Diário de Notícias de ontem, João César das Neves faz uma análise certeira das iniquidades do actual sistema de financiamento do ensino superior. Excelente!
Colocado por Picuinhas às 00:38
De novo The Blank Slate Tenho vindo nos últimos tempos a ler o The Blank Slate: The Modern Denial of Human Nature, de Steven Pinker. É um livro absolutamente essencial, uma obra de um enorme fôlego e de uma erudição espantosa, e é, também, uma obra extremamente polémica. Talvez estranhamente polémica, pois toda a sua tese, de que a natureza humana existe, de que os genes determinam em larga medida o que somos enquanto indivíduos, está suportada com firmeza numa quantidade considerável de ciência. Mas é exactamente esse o problema. Essa ciência, que procura factos, que usa a experiência para comprovar ou falsificar teorias, é acusada de imoral. Essas acusações são totalmente desprovidas de sentido, como Pinker demonstra com elegância, mas nem por isso deixam de ser feitas por uma pseudo-ciência pós-modernista, negadora da existência de verdade, mas que crê em algumas verdades que considera absolutas. A primeira é justamente que não há uma verdade, mas várias verdades subjectivas. A veracidade desta afirmação é posta em causa por si própria. A segunda é que, sendo toda a ciência uma construção humana, as suas teorias são necessariamente produto dos cientistas e não da realidade observada, donde se conclui facilmente que se essas teorias não corroborarem as nossas opções políticas, não são estas que estão erradas, mas sim as teorias, independentemente da sua corroboração experimental.
Pinker desmonta habilmente estes argumentos e, de passagem, no curto capítulo "The Sanctimonious Animal", faz algumas afirmações extremamente interessantes acerca da moral. Em capítulos anteriores Pinker demonstra que o conhecimento biológico da mente não leva necessariamente ao nihilismo. Pelo contrário, esse conhecimento informa-nos para melhor fazermos os nossos "raciocínios morais". Pinker alerta para o facto de que a moralidade é um produto da mente, parte dela determinada geneticamente, e como tal sujeita a erros sistemáticos, que compara às ilusões de óptica. Algo a que chama "ilusões morais". Pinker reconhece que há alguns actos que são reconhecidamente imorais, tais como a violação ou o assassínio. Mas argumenta que, em relação a outros actos, as nossas intuições morais nos deixam ficar mal. Refere um pequena estória, que não resisto a transcrever, e que deixa os nossos sentidos morais confundidos, procurando razões, inexistentes, para poder classificar como imoral um acto que nos repugna: Julie and Mark are brother and sister. They are traveling together in France on summer vacation from college. One night they are staying alone in a cabin near the beach. They decide that it would be interesting and fun if they tried making love. At the very least it would be a new experience for each of them. Julie was already taking birth control pills, but Mark uses a condom too, just to be safe. They both enjoy making love, but they decide not to do it again. They keep the night as a special secret, which makes them feel even closer to each other. What do you think about that; was it OK for them to make love? Esta estória demonstra claramente que há uma parte do nosso "sentido" moral que não está sujeita à razão. Enquanto animais racionais, procuramos desesperadamente racionalizar uma decisão que tomámos sem recurso à razão: que o incesto é errado, sempre. Estas ilusões morais podem levar à censura de actos que em bom rigor não merecem ser classificados como imorais. Excluindo os psicopatas, desprovidos parcial ou totalmente de consciência moral, todos concordamos em considerar o assassínio como imoral. Mas que dizer da homossexualidade? Aparentemente, para muitas pessoas, entre as quais não se incluem naturalmente os próprios homossexuais, a homossexualidade é geradora de ilusões morais. Causa-lhes um sentimento de repulsa que as leva a considerá-la como imoral. As tentativas de racionalização dessa ilusão são variadas, tais como argumentar que a homossexualidade não é "natural". Esses argumentos não têm qualquer validade. Em primeiro lugar porque, embora a moralidade humana tenha como causa última a natureza humana e o processo evolutivo, não as tem como causa próxima. Seria como argumentar que o que eu escrevo neste blogue se deve aos disparos de neurónios no meu cérebro. É verdade como causa última, mas é falso como causa próxima: escrevo o que escrevo porque quero. O argumento, além do mais, é extremamente frágil pela simples razão de que, se alguma vez se vier a demonstrar a origem genética ou pelo menos biológica da homossexualidade, os mesmos que a condenavam se verão obrigados a aceitá-la. (Note-se que, de uma forma igualmente errónea, tem-se tentado demonstrar que a homossexualidade não é errada tentando a outrance provar que ela é natural.) Mas de longe as explicações mais perigosas para a moralidade são as que recorrem à revelação divina. Se uma putativa revelação divina do 6º mandamento, "não matarás", até pode ter como consequência positiva uma aderência maior do crente à norma moral de que assassinar é errado, já a presença na bíblia de uma classificação explícita da homossexualidade como pecado condenou muita gente no passado, e continua a condenar no presente, a uma verdadeira sub-vida, plena de sofrimento psicológico e, por vezes, de sofrimento físico. É verdade que hoje em dia a posição católica sobre a homossexualidade se moderou. Diz o Catecismo católico que: A homossexualidade designa as relações entre homens e mulheres que sentem atração sexual, exclusiva ou predominantemente por pessoas do mesmo sexo. A homossexualidade reveste-se de formas muito variáveis ao longo dos séculos e das culturas. A sua génese psíquica continua amplamente inexplicada. Apoiando-se na Sagrada Escritura, que os apresenta como depravações graves, a tradição sempre declarou que “os actos de homossexualidade são intrinsecamente desordenados”. São contrários à lei natural. Fecham o acto sexual ao dom da vida. Não procedem de uma complementaridade afectiva e sexual verdadeira. Em caso algum podem ser aprovados. Lá está a condenação inequívoca, apesar da declaração piedosa de compaixão perante os homossexuais. Se os homossexuais precisam de compaixão, o que é duvidoso, será quando muito pela forma como são tratados, inclusivamente pelo Catecismo católico. É claro que não posso aqui advogar que a moralidade se deve basear exclusivamente na razão. Em primeiro lugar porque pelo menos os axiomas básicos do edifício (e.g., "o sofrimento é errado"), não têm naturalmente um explicação ou demonstração racional. Em segundo lugar porque, como o século XX demonstrou à exaustão, a razão tem os seus limites. Não reconhecer os limites da razão pode ser ainda mais perigoso que não usar a razão de todo. Não tenho naturalmente uma resposta definitiva sobre este assunto. Ao contrário das verdades científicas, as "verdades morais" não são passíveis de ser testadas empiricamente. Vão surgindo lentamente, de discussões e debates de séculos, de lentas evoluções das sociedades. As posições moralmente conservadoras são muitas vezes defensáveis, dados os limites da razão, mas as posições mais moralmente progressistas também o são frequentemente, particularmente quando a simples inércia é por si só causadora de maior sofrimento do que qualquer consequência não antecipada da mudança. A questão da homossexualidade é claramente um destes últimos casos. Não se vislumbra que problema poderá surgir da sua não-condenação, mas vê-se claramente que vantagens tal traria para uma quantidade enorme de pessoas a quem se negou a normalidade. Por isso mesmo, estou convicto de que a igreja católica acabará por abolir a condenação da homossexualidade do seu catecismo. Outros dilemas morais surgem associados à homossexualidade. Devem ou não os homossexuais ser autorizados a adoptar? Confesso que neste caso tenho convicções muito menos fortes. A razão para as minhas dúvidas é apenas uma: não estão em jogo apenas os membros do casal homossexual, mas também, e sobretudo, a criança adoptada. Se acima disse que os homossexuais tinham direito à normalidade, não o disse no sentido estatístico do termo. A homossexualidade parece ser uma tendência minoritária e como tal estatisticamente "anormal". Terá esse simples facto uma influência nefasta na vida da criança? Confesso que não sei. Mas ainda que se venha a considerar como moralmente aceitável a adopção nestas circunstâncias, deverão tais adopções ser incentivadas? Também não sei. O Valete Frates! respondeu, há já algum tempo, a uma entrada minha neste blogue sobre um artigo de João César das Neves onde se comparava homossexualidade e adultério. As observações acima servem, de alguma forma, de resposta. Mas há algo que gostaria de acrescentar. Na resposta do Valete Frates! (tanto quanto me lembro, pois não tenho já acesso a ela, dado o atraso desta minha resposta), afirma-se a certa altura que a minha aceitação da homossexualidade implicaria naturalmente a aceitação do adultério. Não me parece que se possa tirar semelhante conclusão. No adultério há pelo menos três de indivíduos envolvidos. Pode até haver mais, se existirem filhos filhos. Numa relação adúltera, o conjuge do(a) adúltera está a ser traído na sua confiança. Enquanto o casamento, formalizado ou não, incluir um comprometimento de fidelidade, e julgo que o incluirá sempre, o adultério será imoral. Colocado por Picuinhas às 00:17 |
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